O que estamos ensinando aos nossos filhos?

Acreditando na importância de ensinar os filhos a se defenderem sozinhos, alguns pais seguem a linha do “bateu, levou”, incentivando as crianças a revidarem quando apanham. isso gera um ciclo de violência, incentivando comportamento agressivos. 

Estou dizendo isso porque há 2 meses atrás minha família foi vítima de uma violência gratuita. Meu companheiro e fundador da marca comigo foi agredido por um vizinho ao tentar defender a mim e a uma criança, no parquinho do prédio em que morávamos. A criança, uma menina de 6 anos, empurrou a filha do agressor, que caiu, durante uma brincadeira. O sujeito, entre covardes xingamentos e agressões verbais à menina, virou-se para sua filha e lhe disse para que da próxima vez que a colega fizesse algo parecido, ela a espancasse de volta. Diante de tamanha brutalidade, eu, que presenciei tudo, me pus a defender a menina daquelas palavras de ódio, e ele então voltou seus xingamentos para mim. Meu companheiro, ao tentar nos defender, levou um golpe que desfigurou seu rosto e nos causou uma enorme dor de cabeça, pelos semanas seguintes. 

Alguns de vocês sabem que nos mudamos há pouco tempo, e esse foi o real motivo. Nós que tentamos sempre educar nossa filha para o bem, já não poderíamos compartilhar o mesmo espaço com uma pessoa truculenta, nem mesmo colocar em risco nossa integridade física. Não revidamos. Tomamos as medidas legais e nos retiramos. Não foi fácil, mas aos poucos as feridas estão cicatrizando. 

Ontem, eu recebi a notícia de que uma amiga foi brutalmente assassinada por um homem, que a espancou. Deixou 3 filhos pequenos e isso me fez refletir e me levou a escrever esse texto, com o coração partido.

A criança que está sendo estimulada a agredir o coleguinha, poderá vir a ser o adulto agressivo que comete crimes e atrocidades como essas. Em um mundo já tão saturado de violência - nas ruas, nas escolas, no trânsito - cabe a nós ensinar aos pequenos a seguir um caminho diferente. Que um diálogo ou uma aproximação não violenta, não é covardia, e sim um ato corajoso. Me assusto com pais que defendem o revide. Isso explica muita coisa acontecendo em nosso país neste momento. Reflexo de uma cultura de violência e revide. Tenho medo das ideias destas pessoas, mas por outro lado sinto alento naqueles pacificadores.  Precisamos muito evoluir e, como seres racionais, devemos evitar a violência desde as primeiras comunicações. Sabemos que criar um filho não é fácil, principalmente nos momentos onde há diferenças ou conflitos, mas se não queremos uma sociedade cada vez mais intolerante, é nosso papel educá-los para o amor.



 


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